O EA Sports FC 27 tenta resolver um problema que acompanha a série desde a mudança de nome: como manter o Ultimate Team lucrativo sem deixar que todo o jogo pareça uma variação do mesmo modo de cartas e microtransações. A resposta desta edição é uma combinação de mundo aberto, ajustes no modo Carreira e uma inteligência artificial mais esperta para os companheiros de equipe. A análise do Canaltech avalia as novidades do EA FC 27, lançado para PC, PlayStation, Xbox e Nintendo Switch.
Para o público brasileiro, há um detalhe importante. Botafogo e Bahia aparecem com elencos e uniformes reais, incluindo presença no modo Carreira e no Ultimate Team. A inclusão ainda está longe de representar toda a Série A, mas marca o retorno de clubes brasileiros licenciados à franquia depois de anos de ausência. O jogo continua sujeito a atualizações, preço de lançamento e diferenças entre plataformas, portanto a decisão de compra depende tanto das novidades quanto do valor cobrado pela versão escolhida.
O que é The Grounds
The Grounds é um espaço aberto em que o jogador cria um avatar, circula por distritos inspirados em países ligados ao futebol e participa de atividades que não tentam reproduzir uma partida tradicional de 90 minutos. Há desafios de velocidade e precisão, duelos de dois contra dois, partidas com elementos de basquete e encontros com outros jogadores. A proposta lembra a tentativa de levar uma lógica de praça esportiva para dentro de um serviço online, com roupas, lojas e eventos temporários.
A ideia é interessante porque abre uma porta para quem gosta de jogar com amigos, mas não quer disputar temporadas inteiras ou lidar com a pressão do Ultimate Team. Ao mesmo tempo, o mundo aberto ainda parece vazio quando não há uma sessão organizada. Alguns minijogos dependem de encontrar outras pessoas ou convidar amigos, e o jogador pode passar mais tempo navegando por menus do que participando de uma atividade. A novidade tem potencial, mas ainda precisa construir uma comunidade que justifique o espaço.
O modo Carreira volta a ser o ponto forte
As mudanças mais consistentes aparecem no modo Carreira. A nota geral do atleta pode variar durante a temporada conforme desempenho, posição, lesões e adaptação ao time. Isso quebra a evolução completamente linear de edições anteriores. Um jogador que volta de lesão ou atua fora de sua posição pode cair de rendimento, enquanto um atacante que marca gols em sequência ganha atributos melhores. A alteração torna a escalação mais dinâmica e exige decisões táticas com consequências perceptíveis.
O mercado de transferências também ficou menos automático. O interesse do atleta em aceitar a proposta passa a influenciar a negociação, e outras equipes podem disputar o mesmo jogador. A mudança reduz a sensação de que basta juntar dinheiro para contratar qualquer promessa no primeiro ano. A EA também simplificou etapas repetitivas das conversas e retirou algumas cenas que alongavam o processo sem acrescentar informação. Para quem joga offline, esses ajustes têm mais impacto que um novo item cosmético.
Como a IA aparece dentro de campo
A IA, ou CPU, controla os atletas que não estão sob o comando direto do jogador. No ataque, os companheiros procuram melhor os espaços, evitam impedimentos e fazem corridas entre zagueiros e laterais. Isso não transforma todas as partidas em uma simulação perfeita, mas cria mais opções para quem gosta de construir jogadas. Em vez de repetir a mesma tabela, o usuário encontra movimentos que permitem mudar o ritmo e explorar uma defesa desorganizada.
Na defesa, a EA tentou reduzir o peso da defesa automática. O jogador precisa se posicionar melhor, escolher o momento do desarme e aceitar que uma decisão ruim pode abrir espaço para o adversário. O resultado é mais gols e uma sensação maior de responsabilidade, embora a experiência possa mudar quando atualizações de equilíbrio forem lançadas. Em jogos de esporte, a IA não está apenas no comportamento dos adversários. Ela influencia a percepção de justiça, fluidez e controle em cada lance.
Ultimate Team continua no centro da estratégia
O Ultimate Team não foi deixado de lado. A edição acrescenta a Galeria, que permite enviar cartas de menor nota para ganhar pontos e tokens trocáveis por recompensas. Os Desafios de Montagem de Elenco receberam um método mais simples para formar conjuntos compatíveis. As alterações tornam o gerenciamento de cartas menos frustrante, mas não mudam a estrutura baseada em eventos ao vivo, pacotes e competição por elencos cada vez mais fortes.
Isso explica o equilíbrio difícil do FC 27. The Grounds e o modo Carreira ampliam as opções, mas o Ultimate Team continua sendo a área com maior frequência de atualizações e incentivos. Para quem não quer gastar dentro do jogo, a boa notícia é que há melhorias relevantes no conteúdo offline. Para quem gosta de competir online, ainda é necessário aceitar o ciclo de cartas e eventos que sustenta a parte mais movimentada do produto.
O que muda para jogadores brasileiros
A presença licenciada de Botafogo e Bahia é pequena diante do tamanho do futebol brasileiro, mas tem efeito prático para torcedores. Uniformes, escudos e elencos reais dão mais identidade às partidas, especialmente no modo Carreira. A inclusão também mostra que licenciamento continua sendo parte da tecnologia de uma plataforma de jogos: não basta renderizar jogadores e estádios, o sistema precisa organizar direitos, atualizações de elenco e apresentação local.
A versão brasileira também exige atenção ao preço e ao desempenho do hardware. O jogo roda em várias gerações de console e no PC, mas recursos online, resolução e tempo de carregamento variam. A promessa de um mundo aberto pode ter impacto diferente em uma máquina antiga e em um computador mais recente. Antes da compra, vale conferir a plataforma, o espaço ocupado e quais funções exigem conexão permanente.
Vale a pena comprar no lançamento
O EA FC 27 é mais interessante para quem joga o modo Carreira, quer experimentar um espaço social ou procura partidas com companheiros de equipe mais inteligentes. A edição ainda não abandona os problemas que acompanham lançamentos anuais, como menus complexos, modos online dependentes de comunidade e preço de jogo grande. The Grounds tem boas ideias, mas precisa de jogadores para deixar de ser uma área vazia. O retorno de dois clubes brasileiros ajuda, mas não resolve sozinho a falta de licenciamento mais amplo.
O resultado é uma evolução cuidadosa, não uma revolução. A EA melhora a IA em pontos que afetam a partida, reequilibra o modo Carreira e tenta criar uma alternativa ao Ultimate Team. Para fãs que pulam edições, essas mudanças podem justificar a compra. Para quem já tem FC 26 e joga apenas o modo online, a decisão deve considerar o preço, os eventos da temporada e a disposição de começar novamente a coleção de cartas.
Fonte original: Canaltech, Review EA FC 27.



