Quem planeja montar ou atualizar um PC nos próximos meses vai precisar rever o orçamento. A AMD anunciou um reajuste de 10% nos preços das suas placas de vídeo Radeon, com início já em agosto de 2026. O aumento afeta principalmente a linha RX 9000, a mais recente da fabricante, mas também alcança alguns modelos da série RX 7000 ainda disponíveis no mercado.
Segundo informações publicadas pelo Canaltech, a principal razão para o reajuste é a alta expressiva no custo dos módulos de memória GDDR6, componente essencial nas GPUs modernas. Com a escalada nos preços da memória, a AMD não conseguiu mais sustentar a tabela anterior sem comprometer suas margens financeiras. A empresa adiou o ajuste por cerca de um mês para tentar proteger sua participação de mercado, mas a pressão dos custos foi inevitável.
Quais modelos são afetados
O reajuste incide principalmente sobre dois grupos de produtos:
- Radeon RX 9000 series – a linha mais recente da AMD, lançada em 2025, é a mais impactada. Modelos como o RX 9070 e o RX 9070 XT são os carros-chefe da empresa no segmento de alto desempenho para consumidores.
- Radeon RX 7000 series – modelos da geração anterior que ainda estão em produção e comercialização também sofrerão ajuste nos preços repassados a parceiros e distribuidores.
O reajuste é aplicado inicialmente aos preços para parceiros e distribuidores. O impacto no preço ao consumidor final depende de como cada varejista vai repassar esse aumento. No Brasil, a situação tende a ser ainda mais sensível pelo câmbio.
Por que a memória GDDR6 ficou mais cara
A memória GDDR6 é um tipo de memória de alta largura de banda usada em praticamente todas as GPUs dedicadas do mercado atual, seja para jogos, criação de conteúdo ou inteligência artificial. O aumento no custo desse componente tem várias causas estruturais.
Primeiro, a demanda global por memória disparou com o boom de IA e data centers. Chips como H100 e H200 da Nvidia consomem quantidades enormes de memória do tipo HBM (High Bandwidth Memory), fabricada pelas mesmas plantas que produzem GDDR6. Isso criou uma disputa por capacidade produtiva entre IA e o mercado de GPUs para consumidores.
Segundo, o processo de fabricação de chips avançados ficou mais caro. Fábricas como TSMC e Samsung precisam de investimentos bilionários para desenvolver nós de processo menores, como 3nm e 2nm, e esses custos acabam sendo repassados ao longo da cadeia. Terceiro, há uma priorização clara da indústria: chips para data centers e IA têm margens melhores, reduzindo a oferta disponível para o mercado de consumo.
Nvidia fez o mesmo: uma tendência do setor
A AMD não está sozinha nesse movimento. A Nvidia já havia anunciado aumentos de preço nos pacotes de GPU e memória enviados a parceiros. Isso indica que o reajuste não é uma decisão isolada, mas uma tendência do setor que deve se consolidar ao longo de 2026.
Para o consumidor, a mensagem é clara: o custo de montar um PC gamer ou de trabalho com GPU dedicada vai subir. Os processadores também ficaram mais caros, dado o aumento nos custos de fabricação de silício avançado. Uma build completa em 2026 está significativamente mais cara do que no ano passado.
O impacto no Brasil
No Brasil, altas de preço em dólar sobre hardware importado são amplificadas pelo câmbio. Uma alta de 10% em dólar pode resultar em aumentos maiores em reais, dependendo da variação cambial e das margens dos importadores. Historicamente, o mercado brasileiro de hardware já sofre com preços elevados em comparação com EUA e Europa. Um modelo que custa US$ 500 nos EUA pode chegar a mais de R$ 4.000 no Brasil, considerando impostos, frete e margens de distribuição.
Alternativas para quem quer economizar
Uma alternativa para quem não precisa de performance de ponta é considerar GPUs integradas mais modernas, como as encontradas nos processadores AMD Ryzen com gráficos Radeon, que oferecem capacidade razoável para tarefas do dia a dia e jogos em configurações mais modestas.
O mercado de segunda mão também pode se tornar mais atraente. Placas usadas de gerações anteriores, como RX 6700 XT e RX 6800, ainda oferecem bom desempenho para 1080p e 1440p a preços que não vão subir com o reajuste da fabricante. Modelos como RX 7600 e RX 7700, com estoques razoáveis, devem ter seus preços elevados de forma mais gradual do que os modelos RX 9000 de ponta.
O que esperar para o segundo semestre
Com a IA consumindo cada vez mais capacidade de produção de chips e memória, e com as principais fabricantes priorizando o segmento corporativo, o mercado de GPUs para consumidores deve permanecer sob pressão no restante de 2026. A Intel, com a linha Arc Battlemage, pode ser uma alternativa interessante se mantiver preços mais competitivos.
Por enquanto, o recomendado é acompanhar as atualizações de preço nas lojas nas próximas semanas, já que o reajuste ainda está sendo processado ao longo da cadeia de distribuição.
Fonte: Canaltech – Radeon mais cara: GPUs da AMD sofrem reajuste já em agosto



