O Galaxy Buds On prende na orelha sem bloquear o canal auditivo, oferece até 9,5 horas de bateria e integra funções do Galaxy AI.
A Samsung apresentou o Galaxy Buds On, seu primeiro fone de ouvido sem fio com formato clip-on. Em vez de entrar no canal auditivo ou ficar apoiado sobre ele, o acessório prende ao redor da orelha e mantém a passagem aberta. A proposta mira pessoas que praticam exercícios, caminham em áreas movimentadas ou preferem ouvir música sem perder completamente a percepção do ambiente.
O produto combina uma mudança de formato com recursos de inteligência artificial. O usuário pode acessar o Gemini Live sem segurar o celular, gravar anotações rápidas e controlar algumas ações com movimentos da cabeça. A Samsung também promete reduzir o vazamento de áudio, uma das principais limitações dos fones abertos.
O Canaltech publicou os detalhes em 1º de outubro de 2026. O lançamento inicial está marcado para 27 de outubro na Coreia do Sul, por KRW 299 mil, valor equivalente a cerca de R$ 1.126 em uma conversão aproximada. A Samsung ainda não informou preço ou data para o Brasil.
Por que escolher um fone que não entra no ouvido
Fones intra-auriculares costumam oferecer isolamento e graves mais fortes, mas podem incomodar algumas pessoas depois de longos períodos. Também reduzem o som externo, o que é útil em um avião e menos desejável ao correr perto de uma rua. O formato clip-on tenta equilibrar essas situações: a música fica disponível, enquanto o usuário continua ouvindo carros, colegas e avisos.
Essa característica não transforma o acessório em um equipamento de segurança. O volume alto ainda pode prejudicar a audição, e a percepção de ruídos depende do ambiente. Uma avenida barulhenta ou uma estação cheia pode mascarar alertas mesmo com o ouvido aberto. A vantagem é uma camada adicional de consciência, não uma garantia de que o usuário ouvirá tudo ao redor.
A Samsung diz ter estudado diferentes formatos de orelha para definir a posição dos componentes. A área de contato maior distribui a pressão e ajuda a manter o fone firme durante movimentos intensos. Esse tipo de ajuste é decisivo para o produto: um modelo aberto que cai durante uma corrida não entrega a conveniência prometida, por melhor que seja o som.
Como o Galaxy Buds On tenta preservar os graves
O desafio técnico dos fones abertos é produzir graves sem fechar o canal e sem vazar áudio para quem está por perto. O Galaxy Buds On usa o sistema TwinBoost, com dois alto-falantes voltados principalmente às frequências baixas. A Samsung também incluiu uma função que reduz o vazamento e ajusta automaticamente o volume de acordo com o ambiente.
Na prática, o resultado dependerá do encaixe e do formato da orelha. Graves precisam de controle sobre o ar movimentado pelo alto-falante, e um acessório aberto perde parte dessa energia. Processamento digital pode compensar uma parcela, mas não muda as limitações físicas. O público deve esperar um som diferente do de um intra-auricular com vedação, não uma cópia com mais conforto.
A bateria chega a 9,5 horas de reprodução com uma carga, segundo a Samsung. Esse número atende a um dia de deslocamentos e treinos, mas precisa ser analisado junto ao volume, às chamadas e aos recursos de IA. Microfones e conexões ativas podem reduzir a autonomia quando o usuário passa o dia usando o acessório como assistente.
IA, Gemini Live e controles sem tocar no celular
O Galaxy Buds On se conecta ao ecossistema Galaxy AI. O usuário poderá chamar o Gemini Live sem segurar o telefone, fazer perguntas e registrar informações por voz. Para quem está caminhando ou trabalhando com as mãos ocupadas, essa interação é mais natural do que tocar em uma tela pequena.
O fone traz três microfones e um sensor que capta a voz por condução óssea. Esse mecanismo ajuda a separar a fala do ruído ambiente, especialmente quando o vento e o trânsito atrapalham a captação. A qualidade final dependerá do processamento do celular e da rede, já que funções de assistente podem enviar áudio para serviços na nuvem.
Também há controles por movimentos da cabeça. O usuário pode atender chamadas, dispensar alarmes e interagir com notificações sem tocar no aparelho. A ideia parece conveniente, mas exige cuidado com falsos comandos. Um gesto feito durante o exercício não deveria aceitar uma ligação ou descartar um alerta importante sem confirmação.
O que muda para quem trabalha e se desloca
Fones abertos são interessantes para profissionais que precisam alternar entre áudio e conversas presenciais. Uma pessoa pode ouvir uma reunião ou um podcast e continuar atenta ao ambiente do escritório. Em atendimento, logística e produção, a comunicação com colegas pode ser menos interrompida do que com um fone que bloqueia completamente o ouvido.
Para criadores e usuários avançados, o microfone com condução óssea pode facilitar notas de voz em movimento. A integração com Gemini Live também coloca o aparelho na categoria de interface de IA, não apenas de acessório musical. O valor estará em reduzir o número de vezes que o usuário precisa tirar o celular do bolso para executar uma tarefa simples.
Há limites de compatibilidade. A experiência completa tende a depender de um celular Galaxy recente, de uma conta Samsung e da disponibilidade regional dos recursos de IA. O fato de o produto ser lançado primeiro na Coreia do Sul também significa que idioma, suporte e integração no Brasil ainda precisam ser confirmados.
Preço e disponibilidade no Brasil
O preço sul-coreano de KRW 299 mil serve apenas como referência. Impostos, margem, garantia e câmbio podem levar o valor brasileiro para outra faixa. A comparação aproximada de R$ 1.126 mostra que o Buds On não será um fone de entrada. Ele competirá com modelos premium que oferecem cancelamento de ruído, alta qualidade de chamadas e integração com celulares.
A Samsung não anunciou uma data para outros mercados. O lançamento pode ser expandido depois, mas não há motivo para presumir que o Brasil esteja na primeira onda. Quem se interessar deve esperar informações sobre homologação, garantia local e disponibilidade de peças. Em um acessório que fica preso à orelha e tem sensores, assistência e troca de bateria também fazem parte da experiência.
Uma nova disputa no mercado de fones
O Galaxy Buds On entra em uma categoria que ganhou espaço com fones abertos, de condução de ar e modelos que se apoiam na cartilagem. A competição deixou de ser apenas sobre cancelamento de ruído. Agora as marcas também disputam conforto, percepção do ambiente, comandos por voz e integração com assistentes.
A estratégia da Samsung acompanha o movimento de transformar acessórios em pontos de acesso para IA. Um fone que entende comandos e resume informações pode ser útil, mas exige transparência sobre dados capturados, armazenamento de voz e permissões do celular. O usuário deve conseguir revisar e limitar essas conexões, principalmente quando o acessório está sempre ao lado da boca e do ouvido.
Conclusão
O Galaxy Buds On é uma tentativa concreta de resolver o conflito entre ouvir áudio e permanecer conectado ao ambiente. O formato clip-on, os alto-falantes TwinBoost, a bateria de até 9,5 horas e os recursos do Galaxy AI formam um pacote coerente para exercícios e mobilidade.
O produto ainda precisa provar duas coisas: que consegue entregar graves e chamadas competitivos sem vedação e que a integração com Gemini Live funciona de forma confiável em diferentes idiomas e mercados. Para o Brasil, preço e data continuam pendentes. Mesmo assim, a novidade mostra que o futuro dos fones não será definido apenas por quanto som eles bloqueiam, mas também por quanto contexto conseguem preservar.



