A Apple vai permitir, pela primeira vez, que usuários do iPhone troquem os modelos de inteligência artificial da empresa por alternativas de terceiros — como Google Gemini, Anthropic Claude e OpenAI ChatGPT. A novidade, prevista para o iOS 27, representa uma virada significativa na estratégia de IA da Apple.
De acordo com um relatório da Bloomberg, a funcionalidade se chamará “Extensions” e deve ser anunciada no WWDC 2026, marcado para 8 de junho. Com ela, usuários poderão escolher, diretamente nas configurações do iPhone, qual modelo de IA deve responder às consultas feitas à Siri, às Ferramentas de Escrita e ao Image Playground.
O fim da exclusividade do ChatGPT
Desde o iOS 18.2, lançado em dezembro de 2024, o ChatGPT era o único modelo externo integrado ao sistema da Apple. O Extensions encerra essa exclusividade de vez e transforma o iPhone em uma plataforma aberta para diferentes provedores de IA.
O processo de integração é direto: os desenvolvedores das empresas parceiras precisam adicionar suporte ao Extensions nos aplicativos já publicados na App Store. Após a instalação do app, o usuário pode definir aquele modelo como padrão para as interações de IA do sistema operacional.
A Apple também planeja diferenciar as respostas de cada modelo com vozes distintas na Siri. Ao ouvir a resposta, o usuário saberá se ela veio do modelo da Apple, do Gemini, do Claude ou de qualquer outro provedor configurado.
Responsabilidade dividida
Juridicamente, a Apple planeja se eximir da responsabilidade por resultados produzidos por modelos de terceiros — o que é ao mesmo tempo previsível e fundamental para que a parceria funcione na prática.
Essa estrutura legal é o que torna o Extensions viável em escala. Sem ela, a Apple ficaria exposta a disputas relacionadas a respostas de modelos que ela não controla.
Uma mudança filosófica para a Apple
A Apple é conhecida historicamente por manter controle rígido sobre seu ecossistema de software. A abertura para modelos de IA de terceiros é, portanto, mais do que uma atualização técnica — é uma mudança de postura.
O iPhone deixa de ser um dispositivo com assistente próprio e passa a funcionar como uma plataforma neutra para IA. Os usuários ganham flexibilidade, os desenvolvedores ganham acesso direto à Siri e a Apple mantém o controle sobre a experiência — sem precisar vencer a corrida de IA sozinha.
Segundo o Bloomberg, a empresa já testou internamente integrações com Google e Anthropic. ChatGPT, Gemini e Claude são os três primeiros provedores confirmados para o lançamento.
O iOS 27 deve chegar aos consumidores no outono de 2026, após o ciclo habitual de betas que começa em junho.
Fonte: Engadget / Business Standard



