A Xiaomi se prepara para lançar o Poco X8, e os primeiros sinais concretos do novo aparelho já chegaram ao mercado: o smartphone acaba de passar por certificações regulatórias na Tailândia, pelo órgão NBTC, e em Cingapura, pelo IMDA. Esse tipo de aprovação regulatória geralmente indica que um lançamento global está próximo. O detalhe que mais chama a atenção entre as especificações reveladas é a bateria, uma monstruosa unidade de 9.000 mAh, que supera a capacidade de carregamento de muitos tablets disponíveis no mercado.
A informação foi publicada pelo Canaltech em 22 de julho de 2026 e serve como mais um indicativo de que a Xiaomi continua apostando alto no segmento de smartphones com grande autonomia de bateria. O Poco X8, com o código de modelo 2607DPC18G identificado nos documentos de certificação, promete ser um dos aparelhos mais duradouros entre os intermediários de 2026.
Uma bateria que enfrenta tablets: os 9.000 mAh do Poco X8
A característica mais marcante do Poco X8 é sem dúvida sua bateria. Enquanto a maioria dos smartphones de 2026 vem equipada com baterias entre 4.500 mAh e 6.000 mAh, e os mais focados em autonomia chegam a faixas de 6.500 a 7.000 mAh, o Poco X8 dá um salto significativo ao trazer uma célula de 9.000 mAh, uma capacidade que só costumava aparecer em tablets e phablets de nicho.
Para ter uma ideia do que isso significa na prática: o iPad de nona geração, um dos tablets mais populares da Apple, tem uma bateria de aproximadamente 7.606 mAh. O iPad Air de sexta geração chega a 7.619 mAh. O Poco X8, com 9.000 mAh, superaria ambos em termos de capacidade bruta, em um corpo que é de um smartphone, não de um tablet.
Em termos de autonomia real de uso, isso se traduz em potencial para vários dias de uso moderado com uma única carga. Para usuários que passam longas horas fora de casa sem acesso a tomadas, como profissionais de campo, estudantes com aulas intensas ou viajantes frequentes, esse tipo de bateria pode representar uma mudança prática significativa na rotina.
Há uma ressalva importante: segundo as informações levantadas pelo Canaltech, a versão internacional do Poco X8 pode ser lançada com uma bateria menor, de 8.000 mAh, em vez dos 9.000 mAh da versão original. Essa é uma prática comum da Xiaomi e de outras fabricantes chinesas, que frequentemente ajustam especificações por mercado para cumprir regulamentações ou otimizar o peso e as dimensões do aparelho. Mesmo assim, 8.000 mAh continuaria sendo um número impressionante para um smartphone.
Especificações técnicas: o que já sabemos
Além da bateria extraordinária, as certificações e informações vazadas revelam outras especificações do Poco X8. A câmera traseira deve ser composta por um sensor principal de 50 megapixels, acompanhado de um sensor de profundidade de 2 megapixels e, possivelmente, uma câmera ultrawide de 8 megapixels.
Em termos de conectividade, o aparelho deve oferecer suporte completo ao 5G, além de Wi-Fi, Bluetooth e NFC. A presença do NFC é relevante para usuários brasileiros, já que a tecnologia é necessária para pagamentos por aproximação com smartphones, uma funcionalidade cada vez mais usada no cotidiano, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O Poco X8 deve rodar o Android com a interface HyperOS da Xiaomi, como é padrão nos dispositivos mais recentes da família. A empresa não confirmou oficialmente as especificações, mas o nível de detalhamento encontrado nos documentos de certificação sugere que o lançamento pode estar próximo.
A conexão com o Redmi Note 17 Pro 5G
Um detalhe interessante revelado pelas certificações é que o Poco X8 parece ser essencialmente uma versão global do Redmi Note 17 Pro 5G, um aparelho que já está disponível em mercados asiáticos. Essa é uma estratégia muito comum da Xiaomi: lançar um produto sob a marca Redmi nos mercados da China e Ásia, e relançar o mesmo hardware sob a marca Poco para os mercados internacionais, com possíveis ajustes de software e especificações.
Isso é relevante porque permite prever com mais precisão o nível de performance do aparelho. O Redmi Note 17 Pro 5G é um intermediário sólido, focado em oferecer boa experiência geral a um preço competitivo. Se o Poco X8 é, de fato, sua versão global, podemos esperar um posicionamento semelhante no mercado internacional: não um flagship, mas um aparelho com excelente custo-benefício e especificações acima da média para sua faixa de preço.
Poco e Xiaomi: uma estratégia de submarcas que funciona
Para quem não acompanha o universo Xiaomi de perto, pode ser confuso entender a relação entre a marca principal e a Poco. A Poco foi originalmente criada em 2018 como uma submarca da Xiaomi focada em oferecer hardware de alto desempenho por preços acessíveis. O Poco F1, primeiro aparelho da marca, foi um sucesso enorme justamente por trazer o processador topo de linha Snapdragon 845 a um preço muito abaixo dos flagships da época.
Desde então, a Poco se tornou uma marca com identidade própria, ainda que opere em estreita colaboração com a Xiaomi, frequentemente usando os mesmos designs e componentes com pequenas diferenciações. O resultado é uma linha de produtos que cobre diferentes faixas de preço e níveis de performance, todos com o DNA de custo-benefício que a Xiaomi construiu ao longo dos anos.
No Brasil, os aparelhos Poco são vendidos oficialmente pela Xiaomi e têm boa penetração no segmento intermediário, competindo com modelos de Samsung, Motorola e outros fabricantes que dominam o mercado nacional. A chegada do Poco X8 com uma bateria de 9.000 mAh pode ser um diferencial competitivo relevante nesse cenário, especialmente entre consumidores que priorizam autonomia acima de outros atributos.
O mercado brasileiro e a demanda por autonomia de bateria
O Brasil é um dos maiores mercados de smartphones do mundo, e os consumidores brasileiros têm algumas preferências bem marcadas na hora de escolher um aparelho. Autonomia de bateria é consistentemente apontada como uma das características mais valorizadas, junto com câmera e preço. Pesquisas do setor mostram que a preocupação com a bateria é um dos principais fatores de decisão de compra, especialmente entre usuários que dependem do celular para trabalho e comunicação ao longo de todo o dia.
Nesse contexto, um smartphone com 9.000 mAh, ou mesmo 8.000 mAh na versão internacional, chegaria ao mercado nacional com um diferencial muito claro. Em um país onde o acesso a pontos de recarga nem sempre é fácil em ambientes de trabalho externo, redes de transporte público ou regiões mais afastadas dos grandes centros, um aparelho que dura vários dias com uma carga é uma proposta genuinamente atraente.
Disponibilidade e o que esperar
Ainda não há uma data confirmada para o lançamento global ou brasileiro do Poco X8. As certificações regulatórias são um passo necessário para o lançamento em vários mercados, mas não indicam necessariamente que o produto será lançado imediatamente. Em geral, o período entre a certificação e o lançamento oficial varia de algumas semanas a poucos meses.
A Xiaomi também não confirmou oficialmente o preço do Poco X8, mas com base no posicionamento histórico da linha Poco no segmento intermediário, é razoável esperar um valor competitivo que se enquadre na faixa de preço dos melhores custo-benefício do mercado. Para o Brasil, o preço final também será influenciado pelos impostos de importação, que tendem a elevar o custo dos eletrônicos em relação a outros países.
A reportagem completa, com todas as informações disponíveis sobre o Poco X8, pode ser conferida no Canaltech.



