A Administração do Ciberespaço da China (CAC) aprovou oficialmente os serviços de inteligência artificial da Apple no país, abrindo caminho para o lançamento do Apple Intelligence no mercado chinês. O aval regulatório, publicado em 15 de julho de 2026, e resultado de um acordo firmado com a Alibaba para integrar o modelo de linguagem Qwen aos sistemas operacionais da empresa, e de uma parceria paralela com o Baidu para o desenvolvimento de recursos específicos para usuários chineses.
A aprovação encerra um período de quase dois anos durante o qual os usuários da Apple na China ficaram excluídos das funcionalidades de IA que já estavam disponíveis em outros mercados globais desde o lançamento do Apple Intelligence, em 2024.
Uma aprovação que demorou anos
Quando a Apple apresentou o Apple Intelligence em 2024, a China ficou de fora desde o início. A razao era simples: a legislação chinesa exige que serviços de IA generativa sejam submetidos a revisão e aprovação pela CAC antes de serem disponibilizados no território nacional. Sem essa licença, não havia caminho legal para o lançamento.
As negociações entre a Apple e as autoridades regulatórias chinesas se arrastaram ao longo de 2025, enquanto rumores sobre possíveis parceiros se multiplicavam. A Alibaba foi identificada como favorita ainda no início daquele ano, após a Apple optar pela empresa para liderar a integração do ChatGPT em seus dispositivos vendidos na China, o que sinalizava uma estratégia de adaptação ao mercado local.
A aprovação final veio com a confirmação de que o modelo Qwen, da Alibaba, será integrado diretamente ao iOS, iPadOS, macOS e visionOS. Segundo declaração da Alibaba a CNBC, as capacidades integradas incluem “compreensão e geração de texto e imagem”, o que cobre boa parte das funções centrais do Apple Intelligence.
Por que a China importa tanto para a Apple
A urgência da Apple em garantir a aprovação regulatória fica clara quando se olha para os números. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou US$ 20,5 bilhões em receita na Grande China, regiao que inclui China continental, Hong Kong e Taiwan, representando um crescimento de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mais do que isso, a Apple voltou a ocupar a segunda posição no mercado de smartphones chinês, um feito notável em um setor cada vez mais dominado por marcas locais como Huawei, Xiaomi e Honor. Manter essa fatia de mercado depende, em grande medida, de oferecer recursos comparáveis aos dos concorrentes, e a inteligência artificial virou o campo de batalha central da disputa.
Sem o Apple Intelligence, os dispositivos Apple vendidos na China vinham sendo percebidos como tecnologicamente defasados em relação aos rivais locais, que já incorporavam assistentes de IA com capacidades similares. A aprovação da CAC muda esse quadro de forma significativa.
Baidu entra como segundo parceiro
Além da Alibaba, o Baidu confirmou que também está colaborando com a Apple para desenvolver funcionalidades do Apple Intelligence voltadas ao público chinês. A atuação do Baidu, que opera o modelo Ernie Bot, abre possibilidade para uma camada adicional de capacidades específicas para o mercado local.
A estratégia de trabalhar com múltiplos parceiros na China segue um padrão que a Apple já havia adotado em outros mercados. Nos Estados Unidos, o ChatGPT da OpenAI foi integrado ao Siri como fonte externa de informações. Na China, onde o ChatGPT e bloqueado pelo Grande Firewall, a Apple precisou encontrar alternativas locais que passassem pelo crivo regulatório.
Segundo fontes ouvidas pela TechCrunch, a Apple também estaria avaliando integrações adicionais com outros modelos chineses, incluindo o DeepSeek e produtos desenvolvidos pela ByteDance, a empresa por tras do TikTok. Essas conversas ainda estão em estágio inicial, mas sinalizam o interesse da Apple em diversificar seus parceiros de IA no país.
O que muda para os usuários chineses
Com a aprovação garantida, os usuários de iPhone, iPad e Mac na China devem comecar a ter acesso gradual as funcionalidades do Apple Intelligence nas próximas semanas. A implementação, contudo, será diferente da versão disponível em outros mercados.
O processamento de dados será feito nos servidores locais dos parceiros, em conformidade com a legislação chinesa de soberania de dados. O Qwen será responsável por grande parte da geração de texto e imagem, enquanto o Siri passara a contar com acesso a bases de conhecimento localizadas.
Funções como resumo de notificações, sugestoes de escrita, criação de imagens e ferramentas de edição inteligente, que já são padrão nos dispositivos Apple vendidos em outros paises, devem chegar ao mercado chinês em uma versão adaptada as exigencias regulatórias locais.
Consequencias para o mercado de IA na China
A entrada da Apple como distribuidor dos modelos da Alibaba e do Baidu e também um evento de peso para o ecossistema de IA chinês. O Qwen, desenvolvido pelo laboratório de pesquisa da Alibaba, passa a ter acesso a centenas de milhões de usuários de dispositivos Apple no país, uma vitrina sem precedentes para o modelo.
Para a Alibaba, que enfrenta concorrência intensa de outros grandes modelos chineses como o DeepSeek e o Doubao, da ByteDance, essa parceria representa um diferencial competitivo considerável. A integração com o iOS, em particular, oferece um canal de distribuição que nenhum concorrente chinês possui nessa escala.
A decisão da Apple de dividir a operação entre dois parceiros, Alibaba e Baidu, em vez de concentrar tudo em um único fornecedor, também pode ser lida como uma estratégia para reduzir riscos regulatórios e manter flexibilidade em um ambiente político em permanente transformação.
Um mercado que não pode ser ignorado
A aprovação do Apple Intelligence na China fecha uma lacuna que havia criado pressão crescente sobre a empresa desde o lançamento do recurso. Com mais de 1,4 bilhão de pessoas, a China e o maior mercado único de consumo de tecnologia do mundo, e a competição por atenção e fidelidade dos usuários nunca foi tao acirrada.
A chegada do Apple Intelligence ao país não garante uma reviravolta imediata nas vendas, mas elimina um argumento que os concorrentes usavam frequentemente para atrair consumidores que estavam avaliando a troca de marca. A Apple recupera, assim, a paridade competitiva no segmento de IA em seu mercado mais importante fora dos Estados Unidos.
O anúncio formal dos parceiros e dos detalhes técnicos da integração deve ocorrer nas próximas semanas, possivelmente junto com uma atualização de software. Por ora, a aprovação regulatória e o sinal mais claro de que a Apple finalmente tem o que precisa para apostar serio na China da era da inteligência artificial.
Fonte: TechCrunch – Apple Intelligence approved for launch in China with Alibaba and Baidu


