A Apple está prestes a dar um passo que poucos esperavam da empresa mais avessa a abrir seu ecossistema: segundo fontes ouvidas por diversas publicações do setor, o iOS 27 deve permitir que os usuários escolham provedores de IA de terceiros — como Google Gemini e Anthropic Claude — para alimentar os recursos do Apple Intelligence. Se confirmado, será uma das mudanças mais radicais na plataforma desde a abertura para navegadores alternativos no iOS 17.
O que está sendo planejado
A mudança em estudo permitiria que usuários selecionem, nas configurações do iPhone e do iPad, qual modelo de linguagem desejam usar por padrão nos recursos do Apple Intelligence — incluindo resumo de notificações, reescrita de textos, assistência no Safari e integração com o Siri.
Hoje, o Apple Intelligence usa uma combinação de modelos proprietários da Apple e, com permissão do usuário, o ChatGPT da OpenAI para consultas que exigem mais capacidade. A proposta para o iOS 27 expande esse conceito para incluir Google e Anthropic como opções nativas, e potencialmente outros provedores no futuro.
Por que a Apple estaria abrindo mão do controle?
A resposta curta é: pressão regulatória e competição. A União Europeia continua exigindo maior interoperabilidade de plataformas dominantes, e a abertura para IAs de terceiros pode ser uma forma de a Apple demonstrar compliance sem abrir o App Store ou o sistema operacional de maneiras mais estruturais.
Há também uma razão estratégica: o Apple Intelligence foi recebido com ceticismo pelo mercado. Analistas da Bernstein e do Goldman Sachs apontaram que a lentidão no lançamento de recursos e a qualidade abaixo do esperado custaram à Apple terreno competitivo frente ao Google (que integrou Gemini nativamente no Android) e ao Samsung (que usa modelos de terceiros no Galaxy AI).
Ao deixar os usuários escolherem sua IA preferida, a Apple transforma o iPhone em uma plataforma de IA em vez de um produto fechado — e retoma o papel de curador de uma experiência premium, mesmo que o cérebro por trás dela seja de outra empresa.
O que muda para Google e Anthropic
Para as duas empresas, a possibilidade de estar no iOS 27 como provedoras nativas representa um salto de distribuição sem precedente. Há mais de 1,4 bilhão de iPhones ativos no mundo. Estar disponível como opção padrão de IA nesses dispositivos seria, na prática, equivalente a ser a busca padrão do Safari — o tipo de contrato que o Google paga bilhões de dólares por ano para manter.
Para a Anthropic, especificamente, a possibilidade é ainda mais significativa: a empresa ainda não tem uma distribuição de consumo em escala. Entrar no ecossistema da Apple como opção nativa resolveria esse problema de uma vez.
Cautela até o anuncio oficial
É importante ressaltar que nenhuma das empresas confirmou oficialmente a mudança. A WWDC 2026, conferência anual de desenvolvedores da Apple, está prevista para junho — e é o momento mais provável para um anúncio dessa magnitude. Até lá, as informações circulam como vazamentos e análises de código, sem confirmação da Cupertino.
O que está claro, contudo, é a direção: o mercado de IA em dispositivos móveis está convergindo para um modelo de escolha do usuário, não de imposição de plataforma. E a Apple, ao que tudo indica, decidiu liderar essa transição em vez de resistir a ela.
Fonte: MacRumors, Gadget Hacks



