O Vale do Silício não para. Menos de quatro meses após ser fundado, o Prentis, novo laboratório de inteligência artificial cofundado por Reid Hoffman, o criador do LinkedIn, e Mark Pincus, o fundador do Zynga, já está em conversas para captar US$ 100 milhões a uma valuation de US$ 1 bilhão. É um unicórnio antes mesmo de completar um ano de vida.
Mas o nome que realmente chama atenção não é nenhum dos dois veteranos do Vale. É Ritankar Das, o CEO de 31 anos que comanda a operação, e cuja trajetória acadêmica beira o improvável.
O CEO mais jovem a ganhar a medalha da UC Berkeley em um século
Das se formou na Universidade da Califórnia em Berkeley aos 18 anos, com diplomas em bioengenharia e biologia química. Mais do que isso, foi eleito o University Medalist da UC Berkeley, a maior honraria concedida a um estudante de graduação, tornando-se o mais jovem a receber o título em mais de cem anos.
Depois de Berkeley, foi para Oxford estudar bioengenharia biomédica. Depois, para Cambridge, como bolsista Gates Cambridge, onde iniciou um doutorado em IA. Saiu antes de terminar. Tinha outras ideias.
Não era a primeira vez que ele deixava um curso promissor para fundar uma empresa. Antes do Prentis, Das já havia criado a Tala Health (saúde virtual por IA, com um aporte semente de US$ 100 milhões), a Forta Health (tratamento de autismo, US$ 55 milhões em Série A) e a Dascena (predição de doenças, adquirida pela CirrusDx em 2022). Tudo isso antes dos 30 anos.
O que é o Prentis e por que ele importa
O foco do Prentis é claro: automatizar o trabalho de escritório mais comum e repetitivo usando agentes de IA que controlam computadores. Não se trata de chatbots que respondem perguntas, mas de sistemas que navegam por interfaces gráficas, preenchem formulários, buscam documentos e executam fluxos de trabalho complexos, da mesma forma que um funcionário humano faria.
O modelo central desenvolvido pela empresa se chama Hive-32B. Segundo o Prentis, ele supera rivais como o GPT-5.4 da OpenAI e o Claude da Anthropic em benchmarks específicos de uso de computador, afirmação que o TechCrunch ressalva não ter verificado de forma independente. O custo por tarefa seria cerca de 10 vezes menor do que as APIs dos grandes modelos de fronteira.
Os primeiros clientes vêm de setores como saúde, manufatura e comércio, com aplicações que vão de processamento de sinistros de seguro à automação de devoluções de tarifas alfandegárias.
Um mercado que ferve
O Prentis entra em um segmento que já atrai nomes pesados. A Anthropic adquiriu recentemente a Vercept, startup de uso de computadores por IA sediada em Seattle. A OpenAI avança com produtos similares. E o Thinking Machines Lab, de Mira Murati (ex-CTO da OpenAI), também mira esse espaço.
Com mais de 25 funcionários recrutados de OpenAI, Google DeepMind, Meta, Tencent e Alibaba, e contratos que somam até US$ 50 milhões já assinados, o Prentis chegou barulhento. A tese que guia a empresa é direta: automatizar tarefas cotidianas de escritório será em breve o maior caso de uso da IA, maior até do que a geração de código.
Se esse prognóstico se confirmar, a batalha pelo controle da tela do computador corporativo promete ser uma das mais acirradas do setor de tecnologia nos próximos anos.
Fonte: Prentis: new AI lab co-founded by Reid Hoffman, Mark Pincus in talks to raise $100M – TechCrunch



