A televisão pode ter a maior resolução do mundo, mas se a forma como ela processa e exibe as cores e o brilho das imagens não acompanhar a qualidade do conteúdo, o resultado ainda fica aquém do potencial da tela. É justamente nessa camada invisível, mas determinante, que a Samsung aposta com o HDR10+ Advanced: um novo padrão de imagem que começa a chegar aos consumidores em agosto de 2026, estreando no Prime Video.
Anunciado pela Samsung e reportado pelo Canaltech em 4 de agosto de 2026, o HDR10+ Advanced é uma evolução do já estabelecido HDR10+ e promete uma experiência visual mais precisa e adaptativa, especialmente em TVs de alto desempenho. Para quem acabou de investir em um modelo Samsung da linha 2026 ou está pensando em atualizar, entender o que muda com esse novo padrão é fundamental.
O que é HDR e por que ele importa?
Antes de falar do HDR10+ Advanced, vale um passo atrás para entender o contexto. HDR, sigla em inglês para High Dynamic Range (faixa dinâmica ampla), é uma tecnologia que amplia a diferença entre as áreas mais escuras e as mais brilhantes de uma imagem. Na prática, isso significa sombras com mais detalhe, luzes com mais intensidade e uma gama de cores muito mais próxima do que o olho humano enxerga no mundo real.
O problema é que existem diferentes padrões de HDR no mercado: HDR10, HDR10+, Dolby Vision, HLG, entre outros. Cada fabricante e serviço de streaming tende a apostar em diferentes combinações, o que cria um ecossistema fragmentado. A Samsung, que não licencia o Dolby Vision, investe há anos no desenvolvimento do HDR10+ como alternativa aberta ao padrão da Dolby Laboratories.
O que há de novo no HDR10+ Advanced?
O HDR10+ Advanced traz duas inovações principais que o diferenciam do HDR10+ convencional:
Enhanced Overall Brightness
O primeiro avanço está na forma como o novo padrão utiliza os metadados da imagem. Enquanto o HDR10+ já usa metadados dinâmicos, que variam cena a cena em vez de usar um único valor estático para todo o filme, o HDR10+ Advanced vai além ao incorporar metadados estatísticos adicionais sobre a distribuição de brilho ao longo do conteúdo.
Com essas informações extras, a TV consegue otimizar com mais precisão como distribui a luminosidade disponível do painel, aproveitando melhor a capacidade máxima de brilho em momentos críticos, como cenas de explosão, luz solar direta ou paisagens nevadas. O resultado é uma imagem que parece mais natural e menos “comprimida” nas extremidades da faixa de brilho.
Intelligent Motion Smoothing
O segundo avanço é talvez o mais perceptível no dia a dia: um processamento de movimento adaptativo que analisa o tipo de conteúdo sendo exibido e ajusta o algoritmo de interpolação de quadros de forma inteligente, cena a cena.
Isso resolve um problema clássico das TVs com processamento de movimento: o chamado “efeito novela” ou “soap opera effect”, quando filmes ficam com uma aparência artificialmente fluida que muitos espectadores consideram antinatural. Com o Intelligent Motion Smoothing, o sistema consegue manter a cadência cinematográfica em filmes, com sua característica fluidez de 24 quadros por segundo, enquanto aumenta a fluidez automaticamente em conteúdos esportivos ou de ação, onde movimentos rápidos se beneficiam de mais quadros.
Quais TVs Samsung são compatíveis?
Por ora, o HDR10+ Advanced está disponível exclusivamente nos modelos Samsung da linha 2026. Versões anteriores das TVs da marca, mesmo as de alto desempenho como as QN95B ou S95C de anos anteriores, não receberão suporte ao novo padrão via atualização de firmware.
A Samsung informou que planeja expandir o suporte para futuros produtos, mas não deu detalhes sobre quais modelos específicos da linha 2026 terão o recurso habilitado desde o lançamento e quais poderão recebê-lo via atualização. Quem estiver avaliando a compra de uma TV Samsung nova deve verificar com o revendedor se o modelo desejado já traz o HDR10+ Advanced ativo.
Onde assistir conteúdo com HDR10+ Advanced
O Prime Video será o primeiro serviço de streaming a oferecer conteúdos com HDR10+ Advanced, com a distribuição começando em agosto de 2026. A Amazon, que já tem uma parceria de longa data com a Samsung na adoção do HDR10+, é a pioneira na cadeia de distribuição do novo padrão.
Para usuários brasileiros, isso é especialmente relevante: o Prime Video é um dos serviços de streaming com maior base de assinantes no Brasil, competindo diretamente com Netflix e Disney+. A chegada do HDR10+ Advanced ao catálogo da Amazon significa que uma parcela significativa do público brasileiro com TVs Samsung 2026 já terá acesso a conteúdo nesse formato desde o primeiro dia.
Outros serviços de streaming devem seguir o exemplo da Amazon ao longo dos próximos meses, mas ainda não há confirmações oficiais de Netflix, Disney+, Globoplay ou outros sobre a adoção do HDR10+ Advanced.
Um detalhe importante: incompatibilidade com Filmmaker Mode
Há uma limitação relevante que pode frustrar cinéfilos: o HDR10+ Advanced não funciona quando o Filmmaker Mode está ativado na TV. O Filmmaker Mode é uma configuração que desativa todos os processamentos de imagem para exibir o conteúdo exatamente como o diretor pretendia, sem interpolação de quadros, sem ajustes de cor e sem outras “melhorias” automáticas.
A incompatibilidade faz sentido do ponto de vista técnico, já que o Intelligent Motion Smoothing é justamente um tipo de processamento que o Filmmaker Mode foi projetado para desativar. Ainda assim, usuários que usam esse modo como padrão terão que fazer uma escolha: preservar a fidelidade artística da produção ou aproveitar os benefícios do HDR10+ Advanced.
HDR10+ Advanced vs Dolby Vision: a guerra dos padrões continua
O lançamento do HDR10+ Advanced reacende a disputa histórica entre Samsung e Dolby na definição do padrão dominante de HDR para conteúdo premium. O Dolby Vision, que cobra royalties pelo licenciamento, oferece metadados dinâmicos semelhantes e é suportado por uma gama mais ampla de fabricantes de TVs, incluindo LG, Sony e vários modelos de marcas menores.
A Samsung, que representa cerca de 20% do mercado global de TVs e é líder de mercado no Brasil, prefere investir no desenvolvimento do HDR10+, que é um padrão aberto e sem royalties. O HDR10+ Advanced é mais um passo nessa direção, tentando fechar o gap em relação ao Dolby Vision nas funcionalidades mais avançadas de processamento de imagem.
Para o consumidor brasileiro, a divisão entre os dois padrões significa que nem todo conteúdo HDR vai aproveitar ao máximo toda TV HDR. Verificar se o serviço de streaming favorito e a TV suportam o mesmo padrão HDR ainda é uma etapa importante na decisão de compra.
Vale a pena atualizar sua TV para aproveitar o HDR10+ Advanced?
Se você já tem uma TV Samsung 2026, o HDR10+ Advanced chegará como um diferencial para conteúdo que o suporte, começando pelo Prime Video. Não há nada que você precise fazer além de garantir que o firmware da TV esteja atualizado e que o Filmmaker Mode não esteja ativado ao assistir conteúdo compatível.
Para quem está pensando em comprar uma TV nova, o HDR10+ Advanced é mais um argumento a favor dos modelos Samsung 2026, mas não deve ser o único fator decisivo. A qualidade do painel, a cobertura de cores, a taxa de atualização e o suporte a Dolby Atmos para áudio são igualmente importantes na experiência final.
O mais importante é que o HDR10+ Advanced sinaliza um amadurecimento contínuo dos padrões de imagem para TVs: mais inteligentes, mais adaptativos e, no melhor cenário, cada vez mais transparentes para o usuário final, que simplesmente quer assistir ao seu conteúdo favorito com a melhor qualidade possível.
Fonte: Canaltech – HDR10+ Advanced começa a valer em agosto em TVs da Samsung; veja onde assistir



