A Samsung aumentou novamente os preços sugeridos da linha Galaxy S26 no Brasil. O reajuste varia de R$ 300 a R$ 1.300 e chega em um momento no qual chips de memória, usados em celulares, computadores e servidores de inteligência artificial, estão mais caros.
O modelo Galaxy S26 Ultra de 1 TB foi o mais afetado: passou de R$ 15.499 para R$ 16.799, alta de 8,39%. O Galaxy S26 básico de 256 GB agora custa R$ 7.799. Os dados foram publicados pelo Canaltech em 1º de outubro de 2026 e mostram como a pressão sobre componentes pode chegar rapidamente ao bolso do consumidor brasileiro.
Como ficaram os preços
O Galaxy S26 de 256 GB subiu de R$ 7.499 para R$ 7.799, uma diferença de R$ 300. A versão de 512 GB passou de R$ 9.099 para R$ 9.399, também com alta de R$ 300.
No Galaxy S26+, os dois modelos ficaram R$ 500 mais caros. A opção de 256 GB passou de R$ 9.199 para R$ 9.699, enquanto a versão de 512 GB subiu de R$ 10.799 para R$ 11.299.
O Galaxy S26 Ultra de 256 GB passou de R$ 11.499 para R$ 11.999. A opção de 512 GB foi de R$ 13.099 para R$ 13.599. Já o modelo de 1 TB teve o maior aumento da família, de R$ 15.499 para R$ 16.799.
Os números são preços sugeridos e podem mudar conforme promoções, condições de pagamento e disponibilidade. Ainda assim, a tabela oficial serve como referência para entender a faixa de preço da linha. O S26 mais simples se aproxima de R$ 8 mil, enquanto o Ultra de maior capacidade passa dos R$ 16 mil.
O que são os chips de memória
A memória de um celular aparece principalmente em duas partes. A RAM guarda temporariamente os dados dos aplicativos em uso. Quanto mais RAM um aparelho tem, mais tarefas ele pode manter abertas sem recarregar tudo a cada troca de aplicativo. O armazenamento interno guarda fotos, vídeos, aplicativos e arquivos mesmo quando o telefone está desligado.
Esses componentes não são a mesma coisa, embora ambos sejam chamados de memória no uso cotidiano. A RAM influencia a capacidade de alternar entre aplicativos e executar funções exigentes. O armazenamento determina quanto conteúdo cabe no aparelho e também pode influenciar a velocidade de instalação e leitura de arquivos.
O Galaxy S26 usa esses chips em quantidades diferentes conforme a configuração. Um modelo de 1 TB precisa de mais componentes de armazenamento do que uma versão de 256 GB. Em uma linha vendida em vários países, pequenas mudanças no custo por peça se multiplicam por milhões de unidades e podem alterar a estratégia de preço.
Por que a inteligência artificial pressiona o setor
Serviços de IA generativa usam grandes data centers com milhares de aceleradores e muita memória de alta velocidade. Esses sistemas precisam manter modelos, dados intermediários e solicitações de usuários próximos aos processadores. A demanda de empresas de nuvem e laboratórios de IA compete pela mesma cadeia de produção que abastece eletrônicos de consumo.
Isso não significa que cada real do aumento de um celular possa ser atribuído diretamente a um servidor de IA. O preço final também depende de câmbio, logística, impostos, estoque, negociação com fornecedores e posicionamento do produto. A conexão é mais ampla: quando um componente se torna disputado, fabricantes de diferentes setores enfrentam uma base de custos menos previsível.
A reportagem do Canaltech lembra que a própria Samsung já havia apontado o aumento no custo da RAM como um dos fatores por trás dos preços mais altos da linha. O novo reajuste reforça que a pressão não desapareceu depois do lançamento. Apple e Google também aumentaram preços de alguns aparelhos em 2026, embora cada empresa tenha sua própria política e composição de custos.
O impacto para quem compra no Brasil
Para o consumidor, a primeira consequência é que esperar por uma promoção pode deixar de ser uma estratégia simples. Se a tabela oficial sobe, descontos posteriores podem ser calculados sobre um valor de referência maior. A pessoa deve comparar o preço efetivamente cobrado, a garantia e o pacote de benefícios, não apenas a porcentagem de desconto exibida na loja.
O segundo ponto é escolher a capacidade certa. A versão de 1 TB oferece muito espaço, mas custa R$ 16.799. Quem usa o celular principalmente para mensagens, fotos e streaming pode não aproveitar esse armazenamento. Por outro lado, profissionais que gravam vídeo em alta resolução, mantêm muitos jogos ou precisam transportar arquivos grandes podem valorizar a capacidade adicional.
O terceiro é avaliar o tempo de uso. Um aparelho caro pode fazer sentido para quem pretende ficar vários anos com o mesmo telefone e recebe atualizações de segurança por um período longo. A conta inclui suporte de software, estado da bateria, reparabilidade e desempenho sustentado, não só a velocidade do processador no primeiro dia.
RAM e armazenamento mudam o desempenho?
Mais RAM ajuda quando o usuário alterna entre muitos aplicativos, edita vídeos, joga ou trabalha com ferramentas que mantêm arquivos grandes abertos. Ela não torna todas as tarefas automaticamente mais rápidas. Um sistema bem otimizado pode funcionar melhor com menos memória do que outro que consome recursos sem controle.
O armazenamento também precisa ser observado além do número de gigabytes. Tecnologias diferentes podem oferecer velocidades distintas, e a performance pode cair quando o espaço livre fica muito baixo. Fotos, vídeos e jogos ocupam cada vez mais espaço, principalmente quando o aparelho grava em alta resolução ou mantém cópias locais de serviços de nuvem.
Na prática, a melhor configuração é a que corresponde ao uso. Pagar pela maior capacidade apenas por receio de faltar espaço pode elevar muito o custo. Comprar pouco e depender de apagar arquivos toda semana também causa frustração. A escolha deve considerar os aplicativos usados, o hábito de fazer backup e a possibilidade de guardar fotos na nuvem.
O que observar antes de comprar
O reajuste torna a comparação entre gerações ainda mais importante. Um Galaxy S25 em promoção pode oferecer desempenho suficiente para tarefas do dia a dia por um valor menor. O S26 pode trazer ganhos em câmera, processamento ou inteligência artificial, mas a diferença precisa ser relevante para o perfil do comprador.
Também vale conferir a capacidade real de armazenamento disponível, já que o sistema e os aplicativos pré-instalados ocupam parte do espaço. Nos modelos mais caros, a garantia e o suporte oficial podem ter peso maior do que um acessório oferecido pela loja. A pessoa deve guardar a nota fiscal e consultar as condições de assistência para o país.
Outro cuidado é não confundir recursos de IA com necessidade de trocar de aparelho. Muitas funções dependem de aplicativos que também chegam a modelos anteriores. Um recurso exclusivo pode exigir hardware específico, mas a publicidade deve ser comparada com a experiência real. O consumidor precisa saber se a IA funciona localmente, depende de conexão ou exige uma assinatura.
Um sinal para outros eletrônicos
A alta no Galaxy S26 é um alerta para o mercado inteiro de hardware. Memória e armazenamento aparecem em notebooks, tablets, consoles, câmeras e dispositivos conectados. Se a pressão continuar, fabricantes podem lançar configurações com menos capacidade, reajustar preços ou priorizar produtos com margens maiores.
Para equipes de tecnologia, a mudança também pode afetar compras corporativas. Um lote de celulares ou notebooks previsto para o trimestre pode custar mais do que o orçamento inicial. Empresas que dependem de grande volume devem comparar contratos, planejar substituições e acompanhar o estoque. O problema não está restrito ao consumidor que escolhe um telefone na loja.
Conclusão
O novo reajuste do Galaxy S26 mostra como a infraestrutura da inteligência artificial pode influenciar um produto usado todos os dias. A pressão sobre chips de memória não aparece apenas nos data centers. Ela alcança os aparelhos, altera a tabela de preços e torna a decisão de compra mais complexa.
O consumidor brasileiro não precisa correr para comprar nem aceitar qualquer aumento como inevitável. O caminho é comparar configurações, entender a diferença entre RAM e armazenamento, avaliar o tempo de suporte e verificar o preço final em diferentes canais. A disputa por memória ainda está em movimento, e o Galaxy S26 é um dos exemplos mais visíveis dessa nova realidade do mercado de eletrônicos.
Fonte original: Canaltech, Galaxy S26 fica mais caro no Brasil em meio à crise das memórias.



