Um acessório pequeno quer resolver um problema comum de quem viaja: a falta de conexão sem fio em equipamentos que ainda dependem de cabos. A iFi apresentou o UP Travel Max, um dongle que pode receber áudio por Bluetooth e também transmitir som para fones compatíveis. O dispositivo custa 129 dólares nos Estados Unidos e combina Bluetooth 5.4, aptX Lossless e Auracast.
A proposta interessa a quem usa sistemas de entretenimento em aviões, carros com entrada auxiliar, consoles portáteis e equipamentos de áudio antigos. Em vez de trocar todo o aparelho, o usuário conecta um acessório que funciona como ponte entre fontes modernas e saídas que não oferecem Bluetooth por conta própria.
Como o acessório funciona
O UP Travel Max tem dois comportamentos principais. No modo receptor, ele recebe áudio de um celular, tablet ou computador e envia o sinal para uma entrada de som. Esse cenário é útil em um carro que só oferece conexão auxiliar ou em um sistema de som que não tem Bluetooth nativo.
No modo transmissor, o caminho é invertido. O dongle recebe áudio de uma fonte e envia o sinal para fones ou caixas compatíveis. A função pode ser usada em uma televisão, em um console ou em um sistema de entretenimento de avião que tenha saída de áudio. A pessoa conecta o acessório à fonte e pareia o fone sem fio.
A matéria do The Verge destaca que o produto também suporta Auracast, um recurso baseado no Bluetooth que permite transmitir uma mesma fonte para vários dispositivos compatíveis. Em uma sala, isso pode facilitar o compartilhamento de áudio. Em uma viagem, pode permitir que mais de uma pessoa ouça o mesmo conteúdo usando fones compatíveis, embora a disponibilidade dependa do equipamento usado como origem.
O que o Bluetooth 5.4 acrescenta
Bluetooth 5.4 não significa automaticamente que todo áudio terá mais qualidade. A experiência depende do codec, da fonte, do receptor e da implementação de cada fabricante. O avanço relevante aqui é a combinação entre uma versão recente do padrão e o suporte a funções voltadas para transmissão de áudio.
O aptX Lossless busca preservar mais detalhes do sinal em comparação com codecs Bluetooth que comprimem o áudio de forma mais agressiva. Para aproveitar a função, o celular e o fone também precisam ser compatíveis. Se um dos lados usar apenas um codec básico, a conexão continuará funcionando, mas o resultado será limitado pelo padrão comum entre os aparelhos.
Para a maioria das pessoas, estabilidade e praticidade serão mais importantes que a diferença de qualidade. Em um carro, o ruído do ambiente pode esconder parte do ganho. Em um avião, o som do motor e a qualidade do sistema de entretenimento também influenciam. O recurso faz mais sentido para quem já tem fones capazes de aproveitar a tecnologia e quer manter o mesmo acessório em diferentes situações.
Onde o dongle pode ser útil
O primeiro caso é o automóvel. Muitos veículos têm Bluetooth, mas alguns modelos antigos continuam oferecendo apenas entrada auxiliar ou uma porta de mídia. Com o dongle conectado, o motorista pode reproduzir música e podcasts pelo celular sem instalar uma central nova. A limitação é que chamadas, controles do volante e microfone podem não funcionar da mesma maneira em todos os carros.
O segundo caso é o entretenimento durante viagens. O acessório pode conectar um fone sem fio a uma fonte que só oferece saída analógica. Esse uso reduz cabos, mas não elimina a necessidade de levar adaptadores adequados, verificar a carga da bateria e respeitar as regras de uso de eletrônicos durante decolagem e pouso.
O terceiro caso envolve equipamentos domésticos. Uma televisão sem Bluetooth pode transmitir som para um fone e permitir que alguém assista sem incomodar outras pessoas. Em uma casa pequena, esse tipo de solução pode ser mais simples que substituir a TV ou comprar uma base dedicada para fones.
As limitações para o Brasil
O preço de 129 dólares não é um preço brasileiro. Impostos, frete, garantia e disponibilidade podem mudar bastante o custo final. A iFi ainda precisa informar distribuição local, assistência e compatibilidade com tomadas ou acessórios vendidos no país. Comprar de fora pode ser interessante, mas o consumidor deve considerar a possibilidade de não ter suporte nacional.
Também é importante verificar os conectores incluídos. A utilidade do produto depende de como ele será ligado à fonte. Um carro pode exigir cabo auxiliar, uma televisão pode usar saída óptica e um avião pode usar conexão de dois pinos. O dongle não transforma qualquer porta em uma saída universal.
Há ainda a questão da latência. Alguns modos Bluetooth apresentam pequeno atraso entre imagem e som, algo pouco perceptível em música, mas incômodo em vídeos e jogos. A compatibilidade com codecs de baixa latência deve ser verificada antes da compra. O fato de o produto suportar aptX Lossless não garante que todos os modos de uso terão o mesmo comportamento.
Vale a pena acompanhar
O UP Travel Max é um exemplo de como acessórios podem prolongar a vida de equipamentos que ainda funcionam bem. A tendência é relevante porque nem todo consumidor quer trocar um carro, uma televisão ou um sistema de som apenas para ganhar uma conexão sem fio. Uma ponte compacta pode ser suficiente para atualizar parte da experiência.
Antes de comprar, a recomendação é listar a origem e o destino do áudio, conferir os conectores, confirmar os codecs dos dois lados e procurar informação sobre bateria e garantia. O produto faz mais sentido quando resolve uma situação concreta. Se o celular, o carro e o fone já se conectam diretamente, o dongle acrescentará pouco.
Com Auracast começando a aparecer em mais fones e dispositivos, acessórios desse tipo podem se tornar mais úteis nos próximos anos. A adoção dependerá da presença do recurso em celulares, televisores, sistemas automotivos e equipamentos públicos. Por enquanto, o UP Travel Max parece mais interessante para usuários avançados que querem uma solução flexível para diferentes fontes de áudio.
Fonte original: The Verge, matéria sobre o iFi UP Travel Max



