À medida que criminosos cibernéticos usam inteligência artificial para explorar vulnerabilidades em velocidade sem precedentes, empresas do mundo todo se veem pressionadas a modernizar suas defesas. Ironicamente, a mesma tecnologia que armou os atacantes está sendo usada para detê-los — e poucos exemplificam isso melhor do que a Exaforce.
A startup americana de cibersegurança anunciou nesta semana uma rodada Série B de US$ 125 milhões, que valorizou a empresa de três anos em US$ 725 milhões. O round contou com participação de HarbourVest, Peak XV, Mayfield, Khosla Ventures e Seligman Ventures, e vem apenas um ano depois de uma Série A de US$ 75 milhões — elevando o total captado pela empresa a US$ 200 milhões.
Exabots: agentes de IA no centro de operações de segurança
O produto principal da Exaforce são os chamados Exabots: agentes de IA com análise profunda de dados que automatizam operações de segurança, assumindo o trabalho pesado dos analistas humanos em um SOC (Security Operations Center). A plataforma promete reduzir em até 90% as tarefas manuais e repetitivas dessas equipes.
O grande problema que a Exaforce resolve é o da sobrecarga de alertas falsos. “Uma pessoa de segurança recebe centenas de alertas. Como saber qual é um alerta real e de alta prioridade?”, explicou Umesh Padval, sócio gerente da Seligman Ventures, comparando o trabalho dos analistas à busca por uma agulha num palheiro.
Vibe hunting: IA que entende hipóteses em linguagem natural
Uma das funcionalidades mais interessantes anunciadas pela Exaforce é o “vibe hunting”: um recurso que permite às equipes de segurança formular hipóteses de investigação em linguagem natural. Um analista pode simplesmente perguntar à plataforma “tivemos algum novo ataque vindo do Irã?” — e a IA interpreta a pergunta e vasculha os dados em busca de evidências.
A empresa lançou seu produto comercialmente no quarto trimestre de 2025, após dois anos de testes com parceiros de design. Desde então, soma 20 clientes, incluindo Replit e Guardant Health, com meta de chegar a 40-50 clientes até o final do ano.
Mercado em ebulição
A Exaforce compete com startups como 7ai, Dropzone AI e Prophet Security, além de gigantes como Palo Alto Networks e CrowdStrike. Mas o CEO Ankur Singla vê a pressão crescente de ataques de alta visibilidade como acelerador natural de adoção. “Os clientes não perguntam mais ‘por que preciso disso?’. Agora perguntam: ‘como coloco isso em operação?'”
O capital da nova rodada será usado para escalar a equipe de engenharia, infraestrutura e comercial — sinais de que a Exaforce quer crescer rápido enquanto a janela de oportunidade no mercado de segurança com IA está aberta.
Fonte: TechCrunch



