A Apple está preparando uma leva de novos produtos para o primeiro semestre de 2027, de acordo com reportagem da Bloomberg. A linha inclui quatro novos modelos de iPad Pro com processadores mais rápidos e um MacBook Pro de entrada, internamente chamado de K104, voltado para consumidores que querem o portfólio premium da empresa sem pagar o preço máximo do mercado.
Quatro versões de iPad Pro e o novo chip M7
A empresa de Cupertino estaria desenvolvendo quatro variantes do iPad Pro com processadores aprimorados, embora os detalhes específicos de cada modelo ainda não sejam conhecidos publicamente. O que se sabe é que os planos estão atrelados ao lançamento do primeiro chip M7 da Apple, também previsto para o primeiro semestre de 2027.
O ciclo de atualização dos iPads tem sido relativamente consistente nos últimos anos. O iPad Pro mais recente antes deste ciclo foi lançado em outubro de 2025. Portanto, um novo modelo no primeiro semestre de 2027 implicaria um intervalo de pouco mais de um ano entre as gerações, alinhado com o ritmo que a Apple vem mantendo para sua linha premium de tablets.
O M7 representa a próxima geração dos chips da série M, que a Apple desenvolve internamente desde a transição do Intel em 2020. Cada nova geração tem trazido melhorias substanciais em performance e eficiência energética, além de capacidades específicas para tarefas de inteligência artificial rodando localmente no dispositivo. Em 2026, a capacidade de processar IA on-device tornou-se um dos principais critérios de compra para consumidores e empresas, e a Apple tem priorizado esse vetor com crescente agressividade.
O MacBook Pro de entrada: codinome K104
Talvez a noticia mais interessante seja o MacBook Pro de entrada com o codinome K104. A Apple já tem o MacBook Neo, lançado em março de 2026, com um chip A18 originalmente projetado para iPhones, como alternativa mais acessível dentro da linha Mac. O K104 seria uma opção diferente: um MacBook Pro de verdade, com a marca e as capacidades do Pro, mas com um ponto de entrada mais acessível.
Isso faz sentido estratégico considerando os movimentos de preço recentes. O MacBook Pro de 1TB, por exemplo, passou de US$ 1.699 para US$ 1.999 nos últimos meses, um aumento de US$ 300 que não passou despercebido pelos consumidores. Com o K104, a Apple estaria criando uma alternativa para quem resiste a esse preço mas quer mais do que o MacBook Neo oferece.
É uma estratégia de segmentação bem conhecida da Apple: criar versões distintas dentro de uma mesma família de produtos para atender faixas diferentes de disposição de pagamento, sem diluir a percepção premium da marca. O MacBook Air faz isso no segmento de notebooks mais leves; o K104 tentaria fazer o mesmo dentro da família Pro.
Pressão de preços e desafios na cadeia de suprimentos
Os aumentos de preço nos produtos Apple refletem pressões mais amplas na cadeia de suprimentos global. A empresa tem enfrentado tensões geopolíticas, tarifas de importação e custos logísticos crescentes que impactam diretamente sua estrutura de custos. Esses fatores afetam especialmente os mercados fora dos Estados Unidos, onde câmbio desfavorável e impostos de importação amplificam ainda mais os valores finais ao consumidor.
No Brasil, esses efeitos são sentidos de forma especialmente intensa. Dispositivos Apple já custavam significativamente mais do que nos EUA antes dos aumentos recentes, e cada reajuste global amplifica essa diferença. Um MacBook Pro de entrada, se chegar ao Brasil com preço competitivo frente ao portfólio atual, pode representar uma oportunidade real para novos clientes no mercado brasileiro, que historicamente vê a linha Pro como inacessível para a maioria dos profissionais.
A Apple não comentou os planos de produto mencionados pela Bloomberg, seguindo sua política habitual de não confirmar nem negar rumores sobre lançamentos futuros. Contudo, a consistência das fontes da Bloomberg em coberturas anteriores de produto Apple dá credibilidade às informações.
O cenário pós-Tim Cook
Esses desenvolvimentos acontecem num momento de transição para a Apple. A reportagem da Bloomberg menciona que os planos surgem à medida que a Apple passa da era de Tim Cook como CEO. Cook tem sido central na transformação da Apple em uma empresa de serviços além de hardware, e a transição de liderança inevitavelmente levantará questões sobre a continuidade de produto e de estratégia.
Para os fãs da Apple e analistas de mercado, a continuidade de lançamentos bem planejados, como os previstos para 2027, são sinais de que a empresa mantém uma pipeline de produto robusta, independente das mudanças na gestão de topo. A Apple tem demonstrado ao longo dos anos uma capacidade institucional de executar ciclos de produto mesmo em momentos de transição interna.
iPhone dobrável e outros rumores para 2027
Os planos para iPad Pro e MacBook Pro de 2027 não são os únicos itens no radar. Paralelamente, circulam rumores sobre o desenvolvimento de um iPhone dobrável pela Apple, um produto que seria inédito para a empresa e que colocaria Cupertino no mesmo espaço que Samsung e Huawei já ocupam há anos no segmento de dispositivos dobráveis.
A Apple tipicamente não é a primeira a entrar em novos formatos de hardware, mas costuma redefinir a categoria quando o faz. O iPhone original transformou o mercado de smartphones em 2007; o iPad criou a categoria de tablets modernos em 2010. Um iPhone dobrável com o padrão de qualidade de hardware e software da Apple poderia revitalizar um segmento que, apesar do entusiasmo inicial com as ofertas da concorrência, ainda não encontrou adoção massiva no mercado global.
O que esperar nos próximos meses
Com lançamentos previstos para o primeiro semestre de 2027, ainda há alguns meses pela frente antes de qualquer anúncio oficial da Apple. A empresa tipicamente realiza seus grandes eventos de produto em março, junho (no WWDC, focado em software) e setembro ou outubro (para iPhones e outros dispositivos). Um lançamento de iPad e MacBook em março ou abril de 2027 seria totalmente consistente com esse calendário histórico.
Consumidores que estão considerando comprar um iPad Pro ou MacBook Pro agora enfrentam o dilema clássico dos ciclos de produto Apple: comprar o modelo atual ou esperar a próxima geração. Dado que os novos modelos devem chegar com o chip M7 e potenciais melhorias de IA on-device, quem puder aguardar pode ser recompensado com um salto tecnológico relevante. Para uso profissional intensivo, essa diferença de geração pode ser significativa.
A matéria original foi publicada pelo TechCrunch.



